No inglês fica mais legal: Produto Orgânico is the new black? O tema para este texto já estava no mar das idéias há algum tempo, porém como queria ter subsídios para não falar besteiras, demorei um pouquinho.
A primeira vez que escutei sobre produtos e produção orgânica foi no meio da graduação num workshop de hortaliças e plantas medicinais ministrado por dois agrônomos. Ensinaram um monte de dicas de plantio (mesmo, em escala) das plantas e até que alguém perguntou sobre os orgânicos. Os dois foram enfáticos para ser orgânico até o boi que produziu o adubo deveria ser, na época era assim. E hoje em dia? Será que mudou muita coisa?
Ah, não se pode esquecer que atrelado ao orgânico vem o termo de desenvolvimento sustentável, entretanto, alguns indícios mostram que o cultivo nestes moldes não serão suficiente para suprir a demanda mundial, uma vez que a Terra está ficando super povoada, aliás, já está.
No Brasil, a legislação que regulamenta a produção orgânica é regida pela Lei nº10.831/2003 e o Decreto nº6.323/2007. Ainda falta muita coisa, por exemplo, as instruções de “Boas Práticas na Produção Orgânica” entraram em consulta pública em maio de 2008.
Não vou em entrar no mérito dos sistema de acreditação de orgânicos, pois se o produtor/empresa não consegue nem seguir a lei, imagine as normas de um certificador externo que deve ser mais rígido.
Vai soar como se estivesse no papel do advogado do diabo, mas alguém tem que ser chato. Esses produtos orgânicos vão mudar o quê e onde? Só acho que é muito alarde para “pouca coisa”, a principal diferença é o fato de não terem agrotóxicos e cia (fertilizantes sintéticos, etc). O alimento cresce, em tese, da mesma maneira se fosse silvestre, ou seja, sem proteção contra pragas e tempo ruim, por exemplo. Cultivado assim, e não melhorado nutricionalmente por passe de mágica. O que muitas vezes é o que querem vender, não?
Agora, atrelando um pouco uma outra questão ambiental. Comprou seu produto orgânico bonito, consumiu e… a embalagem é orgânica também? Já pensaram nisso? O plástico, papel, isopor (opa, petróleo) são orgânicos e/ou recicláveis? Só o fato da embalagem trazer o símbolo da reciclagem não quer dizer que ela será reciclada. Ué, o produto não era orgânico, então, todo ele deveria ser, creio.
Não sou contra os orgânicos, muito pelo contrário! Só não quero ser enganado, levar gato por lebre. E nem que outras pessoas comprem um produto esperando por falsos benefícios. O grande “tchan” dessa linha orgânica é o fator do desenvolvimento sustentável que por muitas vezes é esquecido. Em suma, é tudo justo: com o planeta, com o agricultor, com o fornecedor, com o cliente. A única coisa chata, como disse lá em cima, é que nesses moldes a produção não vai suprir a demanda, segundo previsões.







Nossa concordo plenamente com esse seu post.Se tem uma coisa que me deixa louca da vida é ver produtos orgânicos a venda no supermercado em sacos plásticos ou o que é pior em embalagem de isopor ( eu ODEIO isopor desde que me conheço por gente).Acho que a forma como esses alimentos ditos organicos é comercializada vai de encontro ao que se propõe.Eu gosto de alimentos sem agrotóxicos, sem conservantes, o sabor é bom, e ficamos com uma leve sensação de não estarmos consumindo cancer em pó, mas falar a verdade eu sou desconfiada com essa comercialização em massa que anda por ai, acho que orgânico pra ser válido é aquele que adquirimos de um produtor conhecido, porque a produção orgânica já virou fonte de lucro a muito tempo.E o que é pior tá na moda.Eu gosto.Mas acho que se a produção é sustentyavel, o consumo deve ser consciente!
Bom, começando do começo…concordo e ao mesmo tempo apoio o cultivo dos orgânicos…a questão para mim está em se distinguir hoje o que são eles…o que podemos chamar de orgânicos…hoje em dia tem até TV orgânica…fala sério.
O livro que estou devorando neste momento, O Dilema do Onivoro está me dando muitos subsídios em que pensar…e isso é bom…estou amando…você devia ler.
Beijos
Okay. Concordo e assino embaixo! Simpatizo com o conceito de agricultura organica e etc. Acho O Dilema do Onivoro okay. Mas funciona apenas para uns poucos privilegiados. Coloque Michael Pollan para discursar para uma plateia andrajosa e faminta na Africa. E leia The Restaurant at the End of the Universe, do mesmo autor de O Guia do Mochileiro da Galaxia, Douglas Adams. Arthur Dent fica chocado com o animal que oferece partes de sua anatomia para consumo dos frequentadosres. Resolve comer uma salada verde. Leiam o resto!! E PENSEM A RESPEITO!!!
Oi Vitor,
Concordo muito com você. Eu tô achando que esse negócio de orgânico está virando “modinha” e no final a gente acaba (pra variar) nem comprando orgânicos tão orgânicos assim, além de serem uma fortuna.
A partir de uma certa época eu passei a preferir alimentos mais naturais, por uma questão de saúde (leia-se para não virar uma bola), mas poucas vezes preferi alimentos orgânicos no supermercado, devido ao preço muito alto. Imagine uma alface custar quase 3 reai$$.
Mas na verdade eu nunca parei para pensar na questão da embalagem, e você tem toda razão: ou é orgânico ou não é. Depois de ler o seu post, encontrei mais um motivo para achar que a questão do orgânicos hoje ainda é mais uma moda dos “malas naturebas que tem dinheiro pra rasgar” e que está sendo muito bem aproveitada pela indú$tria alimentícia em geral.
Completando, só tem uma coisa que me apavora, é o frango! Outro dia eu comprei um congelado que depois de degelado, além de ter perdido 30% do peso em “água” (na melhor das hipóteses) parecia aquele bicho da lenda do hamburguer do McDonalds. Sinistro…
Depois dessa eu estou procurando alguém perto de onde moro, que venda galinha da roça…
Bjus.
Vitor, concordo com sua desconfiança. Fico enfurecido com gente que vende orgânico e usa isso como desculpa para fornecer um produto inferior. Não é porque é orgânico que é feio ou pequeno. Muito pelo contrário. Visitei uma fazenda de orgânicos há anos atrás, e o dono me explicou que o que eles fazem é cuidar direito da terra. Precisa de mais nitrogênio para as folhagens crescerem? Tem que alternar o cultivo com ervilhas, que liberam nitrogênio no solo. Quer livrar das lesminhas que comem raiz? Tem que plantar pimenta junto. Cuidando do solo e respeitando as características do solo, tudo dá certo. Não adianta plantar batata onde não cresce batata. Planta naturalmente forte combate sozinha boa parte das pragas.
E pode ser só a diferença do agrotóxico; para mim já é o bastante. A Anvisa andou analizando alguns produtos brasileiros e descobriu que os tomates e os morangos (além de outros alimentos) andam tendo mais agrotóxicos aplicados do que o recomendado. Alguns, até 5 vezes mais do que o limite permitido. E as pessoas se perguntam porque a humanidade anda tão doente, morrendo de cânceres e afins. Quanto veneno a gente não bota na boca?
Quanto às embalagens, eu venho tentanto, como designer, fazer coisas mais ambientalmente corretas. O problema é: só existe um papel orgânico no Brasil, e ele é só um tipo de sulfitezinho, e só tem uma gráfica orgânica, e mesmo assim, não é 100% e só faz trabalho editorial. De resto, se você colocar um verniz UV, uma laminação BOPP, já fica mais dicícil de reciclar o papel, se é que é possível. Plástico transparente às vezes é mais sustentável do que uma embalagem de papel com tinta metálica. As tintas, principalmente, não têm nada de orgânico. Algumas empresas de papel oferecem papéis tingidos naturalmente. Mas as tinturas são extraídas de plantas ou insetos (vermelho vem da cochonilha), e sabe-se lá se estão sendo extraídas naturalmente. Então fica BEM difícil exigir do cara que vende tomates orgânicos uma embalagem sustentável.
Abraços!
Assim como em qualquer “onda” varias empresas com pouca ou nenhuma ética entram no embalo apenas para lucrar. Concordo com você que não adianta pagar o dobro ou o triplo apenas pq é orgânico e nem prestar atenção na embalagem. Mas procuro comprar alimentos fair trade quando possivel e, principalmente em caso de ovos e frangos, de criação livre, porque a quantidade de hormônios e a crueldade a que esta produção é sujeita é enorme.
Ja me deparei com pessoas comprando “carne orgânica” e falando que o faziam pq assim os animais recebem respeito. Menos né, gente? Por acaso eles recebem beijinho antes de serem mortos??
Ha de se ter coerência e seguir a consciência, não a moda.
Oi Gente! Nada a ver com o assunto do post.
Peço licença ao Vitor para fazer um pedido:
Estou tentando terminar a minha coleção “A Grande Cozinha” da Abril.
Só faltam 4 volumes:
vol.3.Carnes Vermelhas;
vol.6. Pizzas, Focaccias e Tortas Salgadas;
vol.11. Peixes e Frutos do Mar;
vol.12. Verduras;
Se alguém quiser vender para mim estou comprando.
É só entrar em contato comigo no e-mail: XXXXXXX
Agradeço.
Beijinhos.
Nota do Editor
Caso queira entrar em contato com a Aline deixe um comentário que ele será encaminhado para ela.
@Dricka: exato! É justamente esse ponto. =D
@Fer: estou lendo livro também, a priori é livro é interessante, mas não gostei dele, ainda. Irei fazer um post só para comentá-lo.
@Mirian: não cheguei até o final do livro, mas o discurso do Pollan é meio esquisito…
@Aline: modinha mesmo! Isso irrita, e como. Até que aqui no Brasil, a produção agrícola é um pouco melhor, mas longe de ser o ideal, heheh
@Ana: saaabia que tu ia responder! :D Eu vi essa analise, tomate e morango sempre os campeões dos níveis mais altos. Essa parte de embalagens só sei mesmo as normas quando se fala na ISO, o que eu sei mesmo, por exemplo: as embalagens de papel da Natura são recicladas e parte da matéria-prima é de origem reciclada, e vem escrito na embalagem.
@Silvinha: a indústria aproveita que a população viaja na maionese para tentar vender aquilo que não é. Aí é dose! heheh
@Aline: olhaaaa a muamba, xD