Porco! Barriga de porco, uma camada melhor que a que a outra.
A oportunidade de conhecer o Epice aconteceu ano passado, praticamente de última hora. Ainda bem que fui e você entenderá.
A cozinha é comandada pelo chef Alberto Landgraf, o empreendimento conta também com os sócios Pedro de Castro e Lara Ezzeddine. Fica na região dos Jardins, na Haddock Lobo. Ambiente sóbrio e atemporal, número pequeno de lugares cerca de 38 (o que é um bom sinal).
A proposta do Alberto é uma cozinha contemporânea baseada em ingredientes (absurdamente) bons e primor pelas técnicas de preparo, como poderão ver a seguir.
Couvert: mini pães feito na casa. O brioche e o de bacon foram meus preferidos. Acompanha também manteiga, azeite e sal.
Charcuterie (entrada): terrine de joelho de porco, peito de pato curado (tem que gostar de pato, tem gosto de… pato! claro), rillete de porco, remoulade de couve-flor, mousse de foie gras, pain poilâne, porco empanado e chutney de cebola.
Foi a primeira vez que comi mousse de foie gras. Desculpa adiantadas, mas adorei. Diferente do que havia imaginado e do que haviam me dito. Claro, depende de cada cozinheiro e receita. A versão do Alberto me converteu e sempre que puder irei experimentar. (E sim, sei como é a produção e o manejo dos gansos/patos).
Não fiquei muito fã da couve-flor, mas é compreensível. Perto das opções, é quase covardia.
Vieira (entrada): vieira sauté, pure de cenoura, broto de ervilha e picles de cenoura.
Vieiras grandes, bem seladas, suculentas e no ponto. Macias e adocicadas, o mar estava presente ali.
Abóbora (entrada): gnocchi de abóbora, abóbora sauté, shimeji, gelatina de parmesão, creme de abóbora e avelãs.
Confesso que pedimos o prato por causa da gelatina de parmesão. Mas no final, o conjunto da obra impressionou. Gnocchi bem leves. Ah, sim. A gelatina é ótima.
Pato (prato principal): magret de pato, lentinhas de Puy, cebola caramelada, couve manteiga e jerez.
Peito selado por fora e bem rosado por dentro. Suculento é pouco para descrever.
Robalo (prato principal): robalo sauté, farofa de amêndoas, pure de limão, alho-poró, cerefólio, molho vierge.
O peixe é o principal. Mas quem roubou a cena foi o pure de limão e o alho-poró grelhado/assado. O pure é levemente adocicado e combina muito bem com o robalo, vem na quantidade ideal. O nosso inner-gordo queria mais.
Polvo (prato principal): polvo grelhado, batata fondant, tomate confit, vinagrete de jerez com pinole e catalônia.
Batata fondant: sua linda. Vinagrete com pinole: uma revelação. Sabe macio, mas bem macio? Então, era assim que o polvo estava. E igual a vieira, o mar mandou ótimas lembranças.
Risotto de lagostim (prato principal): risotto Acquerello, lagostim sauté, gelatina de maçã verde e pó de lagostim.
Conhecia o arroz Acquerello por causa do Heston Blumenthal. A variedade (carnaroli) e o beneficiamento diferenciado aparecem no prato, ao menos, eu achei. A maçã verde entremeada com o arroz complementa o lagostim.
Agora a parte mais importante: sobremesas. Pedimos todas. Só foi uma pena, a que eu mais queria, sobert de chocolate (com gelatina de jack daniel’s) não pode ser servida. Houve um pequeno imprevisto no ponto do sorbet, logo, preferiram não mandar para a mesa. Para não perder a oportunidade, pedi para experimentar a gelatina ao menos. Isso que a gente nem bebe, mas valeu a pena.
Abacaxi: ravioli de abacaxi, mousse de coco, sorbet de abacaxi e tuile de abacaxi.
Finas, mas finas fatias de abacaxi. Todo o sabor da fruta concentrada ali, ainda quero saber como são feitas. A mousse de coco agrega uma untuosidade para quebrar a acidez. Ótima combinação.
Pera: pera sauté, pain d’épices, mousse de chocolate e sorbet de pera.
Pera e chocolate: melhores amigos sempre. Uma união tradicional e muito bem executada.
Morango: morango macerado, vinagre de mel, chá verde, panna cotta de chocolate branco e sorbet de morango.
De longe a sobremesa que mais gostei. A combinação de todos componentes cria um equilíbrio, é excelente.
Tarte tantin: de maçã granny smith, butterscoth de tomilho e sorvete de baunilha.
É uma opção para duas pessoas (na foto já está dividida). Clássico muito bem executado. O tomilho pode parecer diferente, mas funciona.
Fora a comida, o serviço foi um capítulo a parte. Durante o jantar quem nos atendeu foi o Jahnu (espero não ter entendido errado!). A gente pode dizer impecável? Pode. Longe de ser blasé e muito menos pedante.
Conhecia o que estava nos vendendo. Explicou detalhadamente o meu prato (barriga de porco, foto inicial) e no risotto de lagostim sabia fielmente os detalhes do arroz acquerello usado no prato, o beneficiamento dele é diferente dos normais.
Somou ainda mais a experiência na mesa. Como se diz, o que já era excelente ficou melhor ainda. Essa quantidade de pratos tem uma explicação, era uma mesa de 6 pessoas e todas retardadas por comida. Nada mais coerente. Consumimos vinho também, mas infelizmente não anotei o nome. Como a mesa era grande, o valor pode assustar (ou não), então, pode ser que fique um pouco mais ou um pouco menos. Foi um excelente investimento.
Conseguir olhar a cozinha (fica no piso superior), vi a poucos metros o PacoJet! E graças ao instagram, essa quantidade linda de termocirculadores. O playground perfeito para qualquer cozinheiro com uma veia mais nerd. E conversei rapidamente com o Alberto. Foi muito atencioso, até descobri que somos do mesmo estado!
Espero voltar outras vezes. Preciso provar o almoço executivo e o menu degustação (quando fui não havia sido lançado ainda). Bom, motivos não faltam.
Serviço
Epice Restaurante
Rua Haddock Lobo, 1002 – Jardins / São Paulo [Mapinha]
Preço médio: R$150/pessoa





uau!!!!!! verdadeiro banquete! adorei!
Vitor Hugo… Estou procurando a receita do pure de limao. Voce tem ideia de como é feito?
@Marcio: é feito com a casca do limão cozida sem a parte branca, mixado com pouco de água e azeite. Basicamente, no youtube tem alguns videos que ensinam a fazer!