Cozinheiro: Considerações finais
22 de Setembro, 2007


No último post sobre o curso disse que iria falar mais um pouco, além das minhas considerações (leia-se: opinião totalmente parcialmente e prepare-se para o destilar de veneno. Espero não ser processado por dizer a verdade… =x).

Antes desse nunca havia feito nenhum tipo de curso na área da gastronomia, então, não tenho parâmetro de comparação. Entretanto, após quase 9 meses - acredito - que aprendi alguma coisa do que fazer e muito mais, principalmente, do que não fazer.

O curso foi bom? Sim. Poderia ter sido pior ou melhor? Com toda certeza que sim. Duas palavras descrevem tudo que eu gostaria: infra-estrutura e planejamento. Torço muito para que os outros Senac(s) do país não sofram os mesmos problemas da regional do Mato Grosso do Sul.

Planejamento. Chega a ser cômico para não dizer trágico. É a primeira coisa que temos que aprender numa cozinha, a planejar que na minha visão é o famoso mise en place. Por que digo isso? Bom, depois de 3 meses de curso a coordenação é trocada (para não dizer abandonada… e da nova prefiro nem comentar), além disso descobrimos que quem planejou o curso simplesmente deve ter fugido da escola ou matado todas as aulas de matemática básica, pois a carga horária estava errada. Como assim, Bial? Seriam apenas 6 meses de curso com 532 horas, sendo 3 horas por dia. Nessa conta, mal chega a 300 horas. Antes eram mais hora/aula por dia, mas diminuiram, porém manteram o mesmo período. Bonito, não?

Na primeira fase do curso quando iríamos adentrar na cozinha o que acontece? Vão mexer no cano que leva água para o forno… nem preciso dizer que tinha mais pó do que outra coisa. Detalhe: tiveram 3 meses para fazer isso. Ok….

Sinceramente, a cozinha didática não tem porte e muito menos infra-estrutura para 20 pessoas trabalharem lá dentro. É um esbarra-esbarra, um empurra-empurra… chaos! Sei que no mercado é bem diferente, só que ali é para se aprender, então… Panelas sem cabos ou carbonizados, colheres derretidas, facas sem fio, fogão e forno desregulados. Uma economia na compra dos ingredientes e falta de conhecimento também. O auge foi o salmão com as guelras cinzas.

Ok, ok. Nem tudo foi um chaos assim. O que realmente salvou foram os professores, principalmente, os da área. Prof. Acácio, Prof. Chef Pollianna e Prof. Chef Celeida merecem todo o crédito do curso, mesmo. Tivemos uma sorte incrível da Prof. Chef Celeida (ela é quem eu chamo carinhosamente de doida por ter buffet) ter aceitado vir nos dar aula, pois devido a mudança de coordenação íamos ficar sem professor na fase de cozinheiro! Prof. Chef Pollianna já tinha outros compromissos no período.

Mesmo com tantos obstáculos aprendi muita coisa, se não tivesse… por favor, né! Ia ser azar demais! Além de conhecer muita gente, vivenciar outros mundos e culturas um pouco distantes do meu mundo fechado. E vai deixar saudades por causa das pessoas, quer dizer, algumas. ;)

Se alguém me perguntar se o curso é bom. Terei que responder com a minha máxima: depende do seu ponto de vista, hahahah. Espero que as novas turmas não passem por tantos problemas assim… só sei que minha turma deve ter ficado conhecido como a mais chata e reclamona.

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • TwitThis
Este artigo foi criado em 22/09/07 por Vitor Hugo nas categorias cursos, leitura. Está protegido pelas diretrizes do Creative Commons. Assine o nosso feed/RSS. Quer o link fixo?




Segredos de Gordon Ramsay Le Saint Honoré: Receitas Originais
Clique nos livros para adquirir via Submarino. Veja lista completa.
3 Comentários em “Cozinheiro: Considerações finais”
  1. Nina em 23/09/07 escreveu:

    Fiz alguns cursos no Senac São Paulo (campus Santo Amaro - onde o Marcel faz pós). Não tenho do que reclamar, tanto as instalações qto os professores foram nota 10. Mas prefiro nem comentar sobre o curso de gastronomia da FMU…
    bjo.

  2. Heidi em 24/09/07 escreveu:

    Sempre tive uma curiosidade, e muito interesse também em fazer alguns cursos no Senac, aínda bem que depende de algumas unidades, sorte da Nina !!!

  3. Vitor Hugo em 24/09/07 escreveu:

    @Nina: ainda bem! Já me falaram que o de Água de S. Pedro o atendimento é meio “suave”, se é que me entende. Hhahahah, pelo jeito da FMU deve ser uma “maravilha”.

    @Heidi: as de SP e outros grande centros, creio, devem ser bem mais preparadas e estruturadas do que no MS.


O que você tem a dizer?

Comente abaixo ou quer o link fixo. Acompanhe a discussão pelo feed. Os comentários são moderados. Não é necessário postar duas vezes.

*** AVISO ***
As opiniões dos visitantes/comentaristas são de inteira responsabilidade dos mesmos. Assim, o PratoFundo se isenta de qualquer responsabilidades pelas opiniões emitidas.

Seja legal. Sem palavras feias. Sem spam. Ou nada de comentário.

Você pode usar:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>



Caso deixe uma pergunta e/ou dúvida, não esqueça de usar um endereço de mail válido. Peço também que observe a pasta de SPAM do seu serviço de mail, algumas vezes a minha resposta pode parar lá dependendo do serviço utilizado.