Cozinheiro: Semana #011

2 de Maio, 2007 por Vitor Hugo

Originalmente postado no Aleatório, porém foi transferido para o Prato.

Se fosse assim, toda dona de casa seria Chef de cozinha.

Antes que eu seja xingado pela frase: não fui eu, e muito menos foi um homem quem a disse. Foi a resposta proferida pela Prof. Super Bacana para um infeliz comentário de um ser da sala. Irei batizá-lo de Mr. CC. No decorrer irei voltar ao assunto.

Em particular essa semana foi bem curta devido, em parte, as festividades pascoalinas e em outra que eu faltei pela primeira vez no curso por motivos de trabalho. Fui apenas na segunda e na quarta.

Desossar é simples, mas requer prática
Como estava programado desde a semana passada, na segunda-feira foi mostrado como se desossa um frango inteiro sem rasgar a pele da penosa. É tão simples, porém não é fácil. Três coisas, para mim, são básicas: paciência, uma faca de desossa bem afiada e a peça não deve estar congelada (’fria’ fica melhor).

Depois de ver e fazer o processo fica fácil compreender por que frango desossado é caro, é tudo manual e depende exclusivamente da habilidade do manipulador. Fica tão engraçado, tudo molenga. Particularmente, retirar as asas é a pior parte para rasgar a pele daquela região é em dois tempos. Já o peito, as costas e as coxas achei bem fácil. É só ir ’sentido’ os ossos e a carne. E sim, a ‘cavidade’ que forma o tórax com as costelas sai inteira.

Tive a brilhante idéia de querer fotografar como se faz, mas tirar foto e desossar ao mesmo tempo não rola. Você se enfranga (epa! não é para soltar a franga) todo.

Com as peças mais retalhadas foram feito um espécie de “ballotines” (rocambole), abriu todo o frango como se fosse um grande escalope e recheou com farofa. E quem ficou na caçarola da farofa? \o/ Fiquei, ganhei algumas queimaduras leves, mas as tratei com homeopatia, heheheheh (piada interna da homeopatia). Entretanto, não vi e nem apreciei o prato pronto, pois não fui na aula em que a iguaria foi a cocção.

Não fui na aula, mas…
Então, na terça-feira não fui na aula por motivos trabalhistas. Fui convidado para um jantar ‘de negócios’ quando recebi o convite fiquei sem palavras, pois era fim de expediente e eu estava com um ovo (de chocolate) ganho… e não mais que de repente meu chefe aparece, assim que eu o vi pensei que iria levar outro ralo por causa do ovo (algumas semanas atrás levei um ralo por causa de uma maçã, mas isso é outra história. Ah, sim… o ambiente em que trabalho não combina com comestíveis, então, o ralo foi merecido). Qual foi a minha reação primária? Tentar esconder o ovo! uehueheuheuehue Ao invés de levar o ralo, recebi o convite… e o lado profissional falou mais alto, e fui.

Para variar… ou não, cheguei cedo ao local. E como não havia chego ninguém ainda, passei um óleo de peroba na cara e pedi para conhecer a cozinha do lugar, pois nunca tinha ido lá. Lógico que me apresentei como aluno do curso de cozinha do Senac e tudo mais, foram bem cordiais. Sem falar que se um cliente pede para conhecer a cozinha, o estabelecimento é obrigado a mostrar, então nada demais.

O restaurante em questão serve pastas (massas) e filés, em suma. Assim, a cozinha é pequena! Menor do que a de casa, mas tem tudo que se precisa. Um fogão industrial e um refrigerador. O rapaz que me ciceroneou (?), acho que era auxiliar de cozinha, foi bem simpático e até me mostrou a outra cozinha do outro restaurante que são da mesma empresa. Aquela sim é uma cozinha enorme. A minha sorte foi que naquele local tinha tido uma estagiária do curso de cozinha que terminou faz pouco tempo, então, eles devem saber que falei a verdade, não?

Técnica eu quero, mas sem neurose
Enfim, quarta-feira se fez presente! E neste dia também não fui para a cozinha, mas culpa foi do Senac. Do nada, resolvem fazer uma mini reforma na cozinha… que de mini não teve nada. Era para ter sido entregue ao meio-dia… foi terminar no fim da tarde. A cozinha ficou coberta de cimento, uma caca só.

A professora passou um filme, aqueles em que o principal é romance bem sessão da tarde, mas o pano de fundo é a cozinha. Bella Martha, uma produção alemã. Martha é uma chef de cozinha excepcional de boa, no campo profissional ela é ótimas, mas no pessoal um desastre total. Sendo tendencioso, as cenas da cozinha no geral são um deleite… cada prato, e a chef possui técnica e tino para estar ali. Óbvio que muita coisas mostrada tem um licença poética, mas que em menor escala existem no nosso mundo real. Quero ter técnica, mas sem ficar neurótico… quer dizer, mais.

Pela discussão gerada após o filme, talento sem técnica não é nada. O ideal é que os dois andem juntos.

A frase do começo desse relato (que ficou um pouco grande, não?), o Mr. CC solta pérola de que gastronomia é amor, blá, blá e blá e toda aquela pieguice de quem glamouriza (?) o ramo. Assim, professora solta aquela resposta! \o/ Owneeeed! Convenhamos, existe comida mais amor do que comida de mãe? Mas elas não são chefs, né não?

The last, but not the least…
Ainda na quarta recebemos uma notícia-bomba, o curso terá que ser estendido por um erro de cálculo de tempo. O curso tem um carga horária de 532 horas/aula que, em tese, iriam acontecer entre 20/01/07 até 31/07/07… mas fazendo as contas, o tempo não chega a 400 horas nesse período. E mesmo fazendo 4 horas por dia iria faltar. Ou seja, o curso deve ir até setembro… e como o meu velho mantra: nada está ruim que não possa ser piorado, pode ser que ao invés de setembro vá até o final de outubro! E agora? O que fazer? Sentar e chorar? Se fosse querer encrenca, tenho em mãos um contrato e as parcelas pagas….

Só sei que às 22h eu viro abóbora. Texto grande, não? Gostou do meu relato e quer saber mais sobre essa saga que está ainda mais longe de acabar? Leia a Semana #010! :D

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