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Curso: Jornalismo Gastronômico no Senac

5 de February, 2010 por Vitor Hugo

Foto by hummyhummy Foto por Gilberto Taccari via Flickr. Todos os direitos reservados // Creative Commons

Recentemente soube que o Senac/SP abriu um novo curso de extensão universitária tendo como foco o jornalismo gastronômico. Num primeiro momento, pensei em não comentar nada… mas repensando e analisando, acredito que seja pertinente alguns comentários sobre. Acredito que muitos, assim como eu, seríamos público-alvo do curso, não?

Pelo que pude apurar este é o primeiro curso voltado para a área no país, então, por enquanto não seria prudente comentar sobre a qualidade e a sua validade. Entretanto, dentro do quadro de docentes/palestrantes tem a Neide Rigo do Come-se que é um grande incentivo e indicativo de qualidade. Mas é necessário esperar os resultados desta turma inicial. Assim, alguns questionamentos surgem…

A ideia de fornecer conhecimento para que a atividade possa ficar mais profissional é bem interessante por um lado, por outro traz dúvidas… será que a produção textual não tenderá a ficar pasteurizada? Ficar igual e baseada num mesmo estilo?

Uma das minha várias chatices quanto ao jornalismo/imprensa, como um todo, mas aqui dando ênfase na gastronomia: é essa áurea de amiguismo-miguxismo que existe tanto entre os sujeitos da escrita quando dos escritos. Ou seja, como se todo mundo fosse amigo-colega-compadre. E qual o problema disso?

Seria nenhum, caso não interferisse no texto produzido

Já cansei de ler notas/críticas que o autor não disse nada, sabe? Ficou em cima do muro, literalmente. Não disse se era bom, ruim ou insosso. Aquela opinião vazia que não acrescenta, não transmite informação. Para mim, do ponto de vista de consumidor, é frustração pura.

Em boa parte dos casos é para não ficar de mal ou por conveniência. Isso que nem comentei sobre aquelas “matérias” de um produto e do lado tem uma propaganda do dito! Seria mais fácil me dar uma nariz vermelho, não?

Espero que num curso desse tipo tanto os docentes quantos os discentes estejam preparados para saber separar vida pessoal da profissional. Você pode ser amigo de tal chef/editor/produtor? Claro! Mas saiba separar isso quanto for escrever do produto/serviço dele.

Também sei que muitos profissionais da gastronomia não estão preparados para receber críticas, entretanto, a partir do momento que você se predispôs a oferecer um produto/serviço deverá estar ciente e preparado para opiniões dos clientes e do mercado, sendo elas positivas ou negativas.

Infelizmente, muitos não estão. Publicações que ao invés de procurar saber os motivos das queixas, partem para a ofensas pessoais e, empresas que acreditam estar fazendo favores ao cliente. Só para citar alguns exemplos. Tudo bem que neste caso já entra noções de atendimento e marketing.

De qualquer maneira, fiquei animado em fazê-lo… pena que por enquanto não poderei. Quem sabe daqui uns anos, não? Caso alguém for cursá-lo, deixe um comentário! Adoraria saber mais, mesmo a distância.

Link curto e Twitta aí!

Vitor Hugo Vitor Hugo
Criador e responsável pelo PratoFundo. Gosta de comer de tudo, e sempre pergunto: é de comer?

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8 Comentários em “Curso: Jornalismo Gastronômico no Senac”

  1. Isabel Furtado em 5/02/10 escreveu:

    Vitor,
    Achei muito bacana você levantar essa lebre sobre as “amizades” no mundo jornalístico.
    Tenho percebido muito disso também. Uma pena…
    O “patrocínio” no jornalismo gastronômico tem me deixado injuriada. Já não sei mais se algo/alguém está sendo citado pois realmente tem qualidades a serem apreciadas ou se apenas tiveram mais recursos financeiros para investir no seu negócio.

  2. minduim em 5/02/10 escreveu:

    Além de professor do ensino profissional, escrevo sobre gastronomia desde 95, livros, jornais, site, blogs (agora no PdH) e não perebo nenhuma utilidade neste curso do Senac. Fiquei curioso com as disciplinas e temas do curso. Vai ter aula de redação culinária ou e de como utilizar o ovo com parcimônia e elegância?
    O pessoal do jornalismo já se manifestou, ou será que vou ter de apresentar este canudo, para falar das comidinhas que faço e dos churrascos que asso?
    Sei não…
    Minduim

  3. Isabela em 5/02/10 escreveu:

    Isso é complicado. Gastronomia em vários aspectos é uma forma de arte, no momento que sai do clássico, seja um foi grass ou uma feijoada. É como dizer a um pintor que daterminada obra foi infeliz. Ele khe responderá categoricamente que você não a compreendeu.
    O fato é que maioria não separa profissional de pessoal. E como você vai criticar para mal, por exemplo, uma pessoa que mais para frente pode construir pontes para você, já que a profissão é a mesma, diferenciando-se apenas a ‘especialidade’. Por isso éxiste o ‘miguxismo’. É fazer o social… O curso pode ser um começo de evolução… E pode não servir de nada. Pensei em fazer, depois desisti. Nem jornalista tem que ter o canudo(absurdo!)

  4. EM! em 6/02/10 escreveu:

    Sinceramente não entendi o que o miduim quer dizer. Tambem, sou blogueiro, medico e professor universitario, qual o problema de eu querer “profissionalizar” meu texto? Aprender tecnicas de redação jornalistica? Como o PF sou um potencial interessado!

    Canetas amigas, jabá seja la o nome que queiram usar, existe desde o descobrimento do Brasil…..
    Blogs diferentemente de jornalistas/colunistas são mais independentes, ate porque em sua maioria PAGAM pelo que consomem!

    Aliais, que mania esta dos gauchos meterem o canudo em tudo! ;)

  5. Vitor Hugo em 7/02/10 escreveu:

    @Minduim: acredito que conhecimento nunca é demais, sem falar que sempre existe o que aprender. Ter uma postura arrogante (não, não estou dizendo que você tenha sido) de dono da verdade em qualquer segmento nunca é a melhor escolha.

    Realmente, seria interessante que o Senac disponibilizasse o plano de ensino do curso e as ementas das matérias. Acredito que desta maneira poderíamos analisar melhor a proposta dele, não?

    Pelo meu lado, minha formação é mais gastronômica do que da escrita. Escrevo? Claro, não iria parar por nada. Entretanto, conhecer técnicas de redação não me fariam mal nenhum.

    @Isabela: mas aí que está o ponto que ressaltei no texto: se foi disponibilizado de alguma maneira o autor quer saber a opinião, sim. Caso contrário teria escondido a 7 chaves, não? E não é “falar mal”, é apontar os pontos negativos. Se você é um profissional da área e as pessoas contam com a sua opinião nada mais justo que seja honesto.

    Fazer o social dessa maneira eu já encaro como hipocrisia/falsidade a partir do momento que outras pessoas vão levar a sério o que foi escrito, não?

    Quanto ao diploma para jornalista, em parte, eu concordo com a não obrigatoriedade. Caso contrário, eu não poderia fazer o que faço: escrever sobre comida. Lembrando que apenas o fato de ter aquele pedaço de papel não quer dizer lá muita coisa…

    @EM!: exato, esse é um dos meus pontos. Já recebi produtos como cortesia para resenhar? Sem dúvida. Porém, deixo bem claro quando isso acontece e sou totalmente honesto. Não é bom? Não é bom e aponto os porquês. Como disse pro Minduim, conhecimento nunca é demais.

  6. Katia em 7/02/10 escreveu:

    Olá! Farei o curso e estou animada.Sairei de BH duas vezes por semana com este objetivo.
    Depois conto o que achei!

  7. Rosana O. em 7/02/10 escreveu:

    Acho que a idéia pode ser boa, e como vc disse Vitor, conhecimento nunca é demais.

  8. Karina em 11/02/10 escreveu:

    O jornalista, ao escrever uma matéria ou nota, tem de ser imparcial. O sujeito não pode pender para um lado ou outro e isso se aprende na faculdade (que, aliás, nem é mais necessária). Acredito que o curso é interessante para quem já trabalha com jornalismo e que esteja começando na área gastronômica. Não vejo como isso poderia levar ao jornalismo pasteurizado, já que o curso se propõe apenas a dar embasamento técnico a quem escreve sobre o assunto.



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