Em Busca da Excelência

Em Busca da Excelência

Ah, a excelência. O dicionário Michaelis define como:

Superioridade de qualidade.

Enquanto, mediocridade:

1 Estado ou qualidade de medíocre. 2 Poucos haveres, mas suficientes; mediania. 3 Falta de mérito, vulgaridade. 4 Pessoa ou coisa medíocre.

Logo, medíocre:

1 Médio ou mediano. 2 Meão. 3 Que está entre bom e mau. 4 Que está entre pequeno e grande. 5 Ordinário, sofrível, vulgar. sm 1 Aquele que tem pouco talento, pouco espírito, pouco merecimento. 2 Aquilo que tem pouco valor.

O assunto central da talk (no TEDxCampos) dos irmãos Rubino (Guy e Michael) foi a dualidade entre excelência e mediocridade.

Para situar, são canadenses e tinham o restaurante Rain (mudou de nome para Ame, chuva em japonês). Sendo Guy, chef de cozinha, e Michael seria o restaurateur. Talvez os conheçam, tiveram um programa chamado Made To Order e passou no People+Arts (acredito que foi nesse canal) alguns anos atrás.

Posso dizer que a talk teve como base a excelência. Aliás, a busca. Os irmão bateram forte na tecla de que estamos vivendo a era da mediocridade, de modo geral, e pontuando a gastronômica, claro.

Para exemplificar a mediocridade dos tempos Guy contou que havia comprado (pasmem!) pizza congelada. Ele estava intrigado o porquê daquele produto se tão vendido e consumido. Comeu-a. E achou um porcaria. Nesse ponto que surgiu a pergunta: como ele sabia que era ruim? Ou melhor, como sabemos que algo é ruim ou bom?

Simples. Já tivemos experiências anteriores que foram melhores. E infelizmente, elas estão diminuindo. Ao passo que estão surgindo novos parâmetros e nada bons. Ou seja, ocorre um nivelamento por baixo.

Ou seja, ocorre um nivelamento por baixo.

Na concepção dos irmãos, durante a busca da excelência é necessário: criatividade, coragem e paixão.

O discurso dos Rubinos foi de encontro com diversas situações que já presenciei no mundo da gastronomia (profissional e na educação). Muita, mas muita gente se contenta em ser medíocre. Não querer ir além daquele mundinho, não querer sair da caixa. Comodismo? Não sei.

Não que eu não tenha os meus momentos medíocres, creio que todos passam por isso. Mas como frisei, devem ser momentos e não a regra.

Às vezes acredito que a culpa é da preguiça, outras por falta de vontade e as demais simplesmente não consigo entender. Vai além da minha diminuta capacidade. Talvez seja uma pitada de coragem faltando? Não me sinto tão confortável com isso.

Prefiro olhar por outro ângulo. Se a tarefa precisa ser feita, por que não executa-la com o máximo de qualidade possível? Não sei você, mas refazer um trabalho é perda de tempo. E tempo, ao contrário de dinheiro, não é algo recuperável.

Não se contentar em ser apenas mais um.

Mesmo que demande um pouco mais de cuidado, de atenção e tempo. Por que não entregar mais? Sinceramente, não creio que seja falta de coragem, ao menos, não neste caso.

Técnica, a parte mecânica qualquer pessoa com o minímo de interesse aprende. Agora, vislumbrar outras possibilidades é necessário ter o feeling (como diria uma professora de química que tive) para ir adiante.

E para isso é preciso buscar, questionar, instigar e ser instigado. Não se contentar em ser apenas mais um.

Artigo por: Oi, Eu sou o Vitor Hugo!

Farmacêutico, Produtor Gastronômico e Comunicador de Ciência de Alimento. Uma combinação diferente, né? Vem saber mais…

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10 Comentários (Deixe o seu!)
  1. Recentemente estava procurando na net alguma coisa sobre gastronomia molecular foi quando descobri seu blog entre os primeiros resultados da busca, ai resolvi entrar para conferir e adorei. Sua postagem me ajudou muito. Seu blog é malhavilhoso.
    Valeu!

  2. Excelente post!
    Adoro sua abordagem científica.
    Infelizmente ser medíocre está virando moda. Em nome da produção em massa, da pressa, tudo é banal, medíocre. O que deveria ser exceção está virando regra. Uma pena!

  3. Sabe que seu post veio de encontro ao que eu estou buscando…confesso que comecei nesse mundo pela´estética ( faço bolos decorados),mas ‘só’ aquilo me incomodava….então passei a buscar a excelencia também no sabor….sim, já refiz receitas pq nao atingi o patamar que eu queria…quem me ajudou muito, me empurrou ladeira abaixo foi a queridona Simone Izumi…me fez pensar e refletir…..Adoro seus posts!;-) Bjks!

    1. Acredito que não se pode deixar acomodar, e buscar a qualidade deveria ser sempre uma constante, né?

  4. Vitor, há dois meses trabalho num projeto de culinária um tanto arriscado. Sou uma amante da cozinha, já fiz alguns cursos de culinária (mas nada aprofundado e profissionalizante). Meu projeto é de uma Cozinha Experimental, onde faço um Menu e as pessoas convidadas para o jantar dão notas para o prato (sabor, apresentação e combinação) e fazem considerações sobre os resultados. Acredito que para um bom trabalho é sempre importante preocupar-se com o que está sendo feito e fazer sempre da melhor forma possível. Adoro seu blog e sempre me inspiro com seus textos. Abraço!

  5. Adorei o seu post. Eu e meu namorado estamos discutindo sobre isso outro dia, aqui na cidade de Osasco é quase impossivel achar uma pizza boa ou um bom pão francês. Nossos amigos vivem recomendando lugares, mas quando chegamos a pizza é dura, a massa esquisita, o pão sem graça, branco e quase cru. Quando vamos a São Paulo sempre achamos pizzas, pães e comidas em geral muito gostosas. Então acabamos chegando a conclusão de que como as pessoas daqui nunca comeram coisas “boas” elas não sabem julgar, dizer se o pão está bom ou não. Eu e meu namorado estamos sempre em busca de como fazer algo melhor, ou de algum lugar que a comida seja melhor.
    Bjs

    1. É exatamente isso, Natacha. Acontece o tal nivelamento por baixo cada vez mais comum, infelizmente.

  6. Adorei o texto Vitor.
    Vou te confessar que em alguns momentos acho um tanto exagerada a forma com vc encara tão cientificamente a gastronomia. Mas a sua busca pela excelência é notória e essa, creio que seja a qualidade que pode te levar muito longe nesse mundo complexo.
    Parabéns pelo Blog, pelo texto e pela busca incessante.

    Andressa Sandri

    1. Mas a gastronomia é Ciência pura, sem ela nem seria possível esquentar água. Dentro da minha visão, quando faço uma crítica/resenha a parte científica me fornece o respaldo necessário e em alguns casos uma certa imparcialidade dentro do parcial, afinal, terá a minha opinião. O que, sinceramente, acredito que falta no meio da comida.

  7. Parabéns pelo post. Fiquei sem palavras.