Pão com Fermento da Mari Hirata

Por: Vitor Hugo Publicado: Atualizado:
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Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

Eu sei. Boa parte de vocês já não devem aguentar ouvir falar da Semana Mesa SP, não? Mas é impossível não citar o evento, tanta coisa para compartilhar! Vamos lá?

Na palestra da Mari Hirata no Mesa Tendências comentei que a chef distribuiu entre os participantes o seu famoso fermento selvagem feito a base de figos secos que completou recentemente 17 anos. Além disso, ao final de sua explanação os presentes puderam degustar os pães feitos com ele.

Era praticamente o meu dream bread: massa com alvéolos grandes e casca crocante.

Quem acompanhou as minhas mensagens pelo twitter comentei que era praticamente o meu “dream bread“: massa com alvéolos grandes e casca crocante. E claro, com sabor levemente sour/azedo. Com uma manteiga e um café ficaria excelente.

Assim que voltei para casa dei início a operação de restauração do fermento, pois ele estava seco e dormente, sendo necessário a sua ativação. Da bolinha obtive essa massa borbulhante e viva de fermento, parece não estar tão fermentada assim, pois armazeno na geladeira para diminuir o processo. Mas durante a ativação estava cheia de bolhas.

Conversando com a Luciana Lancellotti (Bistrô Pimenta) descobri que a minha maneira de reativar o fermento seco estava diferente do que a Hirata-sama havia dito. Tudo bem que eu, na minha loucura, creio que havia ouvido do jeito de fiz, de qualquer maneira o fermento vingou!

Utilizei água mineral (pH 7,22 – neutro, 200mL) para a hidratação, pois não sei qual a concentração residual de cloro e flúor presente na água filtrada e muito menos o seu pH. Deixei a bolinha hidratando até amolecer, então, a dissolvi e acrescentei farinha de trigo até obter uma passa pastosa, porém úmida. Ficou em temperatura ambiente no decorrer dos dias, e fui sempre acrescentando mais água e farinha. Depois fica na geladeira.

Fermento Natural da Mari Hirata

Durante a aula, Hirata-sama forneceu várias informações preciosas e apenas confirmou o que a gente (leia-se: pessoas que gostam de fazer pão) já sabiam: as farinhas no Brasil são de chorar.

Por exemplo, lá fora uma farinha de trigo para pão tem em média 14% de glúten, enquanto por aqui ficamos na metade. O grande problema é que boa parte do que faz o pão ser pão reside no glúten. Ele proporciona estrutura e elasticidade, e segundo Hirata-sama o fermento (as leveduras) o consomem também.

A maneira como é feito este pão não poderia ser mais simples e praticamente sem morrer durante o sovar. Aliás, quase não há! Apenas a fermentação lenta e demorada de 6-8h, ou seja, quem faz o trabalho pesado é o tempo e os “bichinhos” (em tempo: as leveduras são fungos e não animais e muito menos plantas).

Outra dica interessante foi sobre o sal, o momento certo de quando incorporá-lo. Hirata-sama conta que deve ser colocado num segundo momento, depois que a água hidratou a farinha de trigo e liberou o glúten.

Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

O pão mostrado é a segunda tentativa, pois na primeira obtive arte abstrata. E… coloquei água demais, o que deixou a massa bem mole dificultando sua modelagem, além da falta de glúten. Já neste segundo, mesmo faltando glúten, tomei mais cuidado na hidratação e creio que o fermento estava menos dormente, digamos. Mas isso é tudo na base do achismo.

Ainda preciso melhorar a técnica e realizar uma versão com o tal glúten a mais para saber e sentir as verdadeiras diferenças. Entretanto, sinto que estou no caminho certo desta vez. Este fermento é diferente daquele que havia feito algum tempo atrás, e claro, os pães também são. Tanto na textura quando no gosto.

Para quem desejar as receitas, sugiro a leitura da matéria do Paladar: Tamagotchi de geladeira. Tem tanto as instruções para você iniciar uma nova cultura de fermento quanto um pão feito com ele.

Pão com Fermento Natural da Mari Hirata
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Vitor Hugo

Mestre em Ciência de Alimento, Farmacêutico-Bioquímico e Gastrônomo. Atua como Produtor Gastronômico e Comunicador de Ciência. Criou o PratoFundo para ser o portfólio de gastronomia e ciência.

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14 Comentários (Deixe o seu!)
  1. Vitor Hugo:

    Lais,

    Difícil especificar qual tipo de fermento natural usar nesse tipo de pão, uma vez que as características dele serão ditadas pelo microrganismos presentes no fermento. E os microrganismos (fungos e bactérias) variam de lugar para lugar, ou seja, de cozinha para cozinha.

    Normalmente, essas massas madres (como da Mari) são classificadas como sourdough starters (sourdough = massa azeda), por natureza são ácidas/azedas, mas como disse a intensidade irá variar.

  2. lais rachid:

    ola vitor, se puder me ajudar, darei muitos pulos de alegria,
    estou a procura de um bom fermento natural para bolo hungaro, se posivel com um certo azedinho inesquecivel .
    grande abaço

  3. andrea:

    Olá Vitor

    Adoro pães e tenho muita vontade de fazer um curso bom. Moro em Curitiba mas tenho bastante disponibilidade para estar em São Paulo, portanto sua indicação poderia ser para as 2 cidades. Vc tem alguma recomendação?

    Um abraço
    Andrea

  4. valentina:

    O visual deste pão esta lindo. e estou adorando os frutos desta Semana.Tem mais?

  5. CRISTIANE:

    Ei Victor, cadê você??? Eu vim aqui só pra te ver!!! rsrsrs
    Brincadeiras a parte, vc tá sumido hein! Volte logo pois gosto das novidades do seu blog.
    Bjs

  6. Rita:

    Eu nao sei se me animo a fazer fermento caseiro, mas este pao esta com uma cara divina! Adoro quando o pao tem bastante buracos, bem desse jeitinho!

  7. Tatiana (Panelaterapia):

    Incrivelmente aerado!

  8. Rodolfo Bontempo:

    Ola Vitor, em primeiro lugar, parabéns pelo blog. Há tempos eu procurava por algo assim, através do seu blog, encontrei muito do que queria.
    Tenho uma pergunta a fazer, não fui a palestra da Mara Hirata, (moro no interior do Rio de Janeiro, e os eventos gastronômicos e culturais são meio escassos por aqui). Gostaria de saber, a respeito do pouco glúten das nossas farinhas, o mesmo se aplica as farinhas integrais ???
    Abçs…

  9. Bistrô Pimenta:

    Caro, esse pão está di-vi-no. E que fotos! Meus parabéns. A apresentação da Mari no Mesa Tendências foi, sem dúvida, uma das mais emocionantes do evento. Como é bom assistir à paixão de alguém pelo trabalho. Com ela é assim, e com você também.

    Bj,

    Luciana

  10. Ana Teresa Londres:

    Olá,
    Estive também na palestra de Mara Hirata, mas o meu fermento não vingou. Borbulhava um pouquinho e separava a água da restante. Não cresceu nada. Hidratei as bolinhas com água filtrada e dp acrescentei farinha e mais água até uma pasta grossa. Ficou fora da geladeira alguns dias e eu mexia de vez em quando. Acho que ele morreu. Vou precisar de um doador de fermento para tentar fazer o pão.
    Um Abraço
    Ana Teresa

  11. Carla:

    Vitor, que maravilha de pão! Sonho em um dia fazer um assim.
    Eu li a sua matéria e também a do Paladar.
    Não consegui entender direito como é que se alimenta esse fermento. Tem utilizá-lo todo dia? Posso deixar na geladeira por quanto tempo?

  12. Joana:

    Vitor,
    Babei.
    Joana

  13. Luiza:

    Quanta emoção ao ver a última foto!
    Esse fermento é realmente poderoso, to boba. Fiz um fermento na faculdade de maçã verde e juro que nossos pães não tinham tantas “bolhas” por dentro igual a esse (não é querendo desmerecer o trabalho do professor que é super especialista em pães).
    E o sabor desse pão? Deve ter ficado ótimo.
    Parabéns Vitor, fazer pão é tão “mágico”. Não há coisa mais bonita de ser na cozinha do que um pão crescer.

    Abraços,
    Luiza

  14. Leo Medeiros:

    Mermão, esse pão está sinistro!!! Todos sabemos que a farinha do supermercado não presta para pão. Contaí, que farinha usaste para conseguir esse pão cheio de bolhas!!