Escola de gastronomia: ir ou não ir?

ATUALIZAÇÃO JULHO/2012: Sugiro a leitura do artigo Afinal, Gastronomia Vale a Pena? publicado após a conclusão da faculdade de Tecnologia em Gastronomia.
Panelas de metal dispostas uma sobre a outra e dentro

Foto: Andrzej Jakubczyk

Originalmente postado no meu antigo blog (Aleatório), porém foi transferido para o PratoFundo.

Recordei-me do texto após uma visita ao Mixirica da Tatu. Em que uma das visitantes está com crise na profissão, não sabendo o que fazer. Largar tudo para cair de vez na gastronomia ou ficar dentro dos padrões… ou seja, essa inconstância é mais comum do que a gente pode imaginar.

Vários fatores influenciam essa decisão nem sempre lá muito bem vista pela família, amigos e afins. Se você tiver curso superior a reação não é lá das melhores, no melhor estilo: nada está ruim que não possa ser piorado, compreende?

Nicole Weston do Slashfood publicou no sábado o texto intitulado Advice on going to culinary school (infelizmente, o site não existe mais). Nele ela sugere um segundo texto de autoria de David Lebovitz (chef com tendências chocolátras) chamado “Should You Go To Culinary School?“.

No artigo, David informa que em todos esses anos de profissão as pessoas sempre perguntam para ele essa máxima, ainda mais nos últimos anos em que se criou essa aura de glamour nos chefs. Exemplo claro disse é o reality show Top Chef, além dos vários programas de culinária (Nigella? Jamie? E afins?)

Ressalta que é uma profissão com “muita diversão”, mas antes dela vem muito trabalho.

The downside of professional cooking is that the work can be extremely difficult, the hours are long, and it exhausts you down to the bone. A typical work day is often well over 8 hours and you rarely get a break. I’d once mentioned that at a fancy dinner party which completely stopped forks in mid-air. People had no concept of jobs without breaks. And if you’re sick or injured, you’re expected to work.

Em tradução livre: “O lado ruim da cozinha é que o trabalho poder ser extremamente difícil, as horas são longas e isso te leva ao ápice da exaustão. Um típico dia de trabalho toma mais de 8 horas e raramente você tem uma pausa. Uma vez falei isso num jantar chique que acabou com garfos ao ar. Pessoas não tem idéia de trabalhos sem pausas. E se você está doente ou passando mal, você é esperado para o trabalho.”

Ele recomenda que antes de se aventurar em alguma escola ou curso em cozinha tente algum tipo de estágio para que se aprenda no dia-a-dia, se é essa vida que quer levar.

I highly recommend volunteering (yes, folks, work for free) in a well-regarded restaurant kitchen or bakery before making any big changes or paying anyone anything. Every kitchen I’ve worked in could always use a good pair of hands to help. It’s a great way to see if the work is for you.

Em tradução livre: “Eu recomendo muitíssimo trabalho voluntário (sim, pessoal, trabalho de graça) uma boa cozinha de um restaurante ou panificadora antes de fazer grande mudanças ou pagar a qualquer um. Toda cozinha que eu já trabalhei poderia usar um par de mãos para ajudar. Essa é uma ótima forma para sentir se o trabalho é para você.”

Pena que aqui no Brasil, ao menos no lugar em que moro, é um um pouco difícil (eu disse difícil, não impossível) conseguir tal estágio. Ainda mais com a forma de trabalho daqui ser diferente lá do exterior, eu creio. Ou melhor ainda, como trabalhar de graça e se sustentar ainda por cima?

Eu pego o meu caso como exemplo, trabalho (em tese) 8 horas por dia, mas permaneço quase 10 das 24 horas no trabalho. Conseguir outro “trabalho” de 8 horas é meio complicado, não? Né, quem precisa dormir? =p Já pensei nisso por causa do estágio do curso de cozinheiro… serão as (duas?) semanas mais exaustivas que terei, dependendo de onde cair. Pois, se o lugar for bacana devo chegar lá as 18h e sair 23h, eu espero sair às 23h. Ah, e para complementar a carga horária devo aparecer nele nos fins de semana também. Serão não, foram os 11 dias mais estressantes de toda a minha existência, só de pensar que tem mais um estágio cai um desânimo incontrolável! Pois ter essa vida dupla, não é possível. Uma exige força mental e a outra a física… ou seja, você é consumido ao extremo e mais um pouco. Cansa e muito.. e como!

David finaliza com algo totalmente básico, mas que muita gente esquece de fazer e ser: agradecer e ser educado.

If someone’s taken the time to help you professionally, perhaps by giving you good advice or taken you in as an intern, be sure the remain on the best of terms with them. A short note or written message is good manners and always leaves a positive impression. I’ve kept in touch with some of my favorite interns and have given them great recommendations or helped them with their careers, as others have helped me. The professional cooking world is relatively small and news travels fast. So make sure the news about you is always good.

Em tradução livre: “Se alguém disponibiliza tempo para te ajudar, talvez te dado um bom conselho ou um estágio, tenha certeza de ter um ótimo convívio com essas pessoas. Uma pequena nota ou alguma mensagem são boas maneiras e sempre deixa uma impressão positiva. Eu mantenho em contato com alguns dos meus favoritos estagiários e tendo dado ótimas recomendações ou ajudado eles com suas carreias, como outros que me ajudaram. O mundo em torno dos profissionais da cozinha é relativamente pequeno e as notícias viajam depressa. Então, tenha certeza que as notícias sobre você sejam sempre boas.”

Bom, como a minha idéia de futuro médio é quem sabe fazer o curso de Chef de Cuisine do Centro Europeu. Que cá entre nós é bem salgado, não? Mas é algo palpável… espero que seja ano que vem também. Acredito que esse ano será decisivo para muitas coisas, uma delas será descobrir o que eu quero fazer, ou ao menos as que eu não quero. Por incrível que pareça, não sei o que eu quero da vida, ainda. Quer dizer… por mim, eu caia no mundo…. heheheh. Europa e Japão, por obséquio. :)

Oi, Eu sou o Vitor Hugo!

Cientista e Cozinheiro que juntou duas paixões Ciência e Comida: a melhor combinação que existe! Diferente, né? Vem saber mais…

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