Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

11 de Novembro, 2009 por Vitor Hugo

Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

Eu sei. Boa parte de vocês já não devem aguentar ouvir falar da Semana Mesa SP, não? Mas é impossível não citar o evento, tanta coisa para compartilhar! Vamos lá?

Na palestra da Mari Hirata no Mesa Tendências comentei que a chef distribuiu entre os participantes o seu famoso fermento natural feito a base de figos secos que completou recentemente 17 anos. Além disso, ao final de sua explanação os presentes puderam degustar os pães feitos com ele.

Era praticamente o meu dream bread: massa com alvéolos grandes e casca crocante.

Quem acompanhou as minhas mensagens pelo twitter comentei que era praticamente o meu “dream bread“: massa com alvéolos grandes e casca crocante. E claro, com sabor levemente sour/azedo. Com uma manteiga e um café ficaria excelente.

Assim que voltei para casa dei início a operação de restauração do fermento, pois ele estava seco e dormente, sendo necessário a sua ativação. Da bolinha obtive essa massa borbulhante e viva de fermento, parece não estar tão fermentada assim, pois armazeno na geladeira para diminuir o processo. Mas durante a ativação estava cheia de bolhas.

Conversando com a Luciana Lancellotti (Bistrô Pimenta) descobri que a minha maneira de reativar o fermento seco estava diferente do que a Hirata-sama havia dito. Tudo bem que eu, na minha loucura, creio que havia ouvido do jeito de fiz, de qualquer maneira o fermento vingou!

Utilizei água mineral (pH 7,22 – neutro, 200mL) para a hidratação, pois não sei qual a concentração residual de cloro e flúor presente na água filtrada e muito menos o seu pH. Deixei a bolinha hidratando até amolecer, então, a dissolvi e acrescentei farinha de trigo até obter uma passa pastosa, porém úmida. Ficou em temperatura ambiente no decorrer dos dias, e fui sempre acrescentando mais água e farinha. Depois fica na geladeira.

Fermento Natural da Mari Hirata

Durante a aula, Hirata-sama forneceu várias informações preciosas e apenas confirmou o que a gente (leia-se: pessoas que gostam de fazer pão) já sabiam: as farinhas no Brasil são de chorar.

Por exemplo, lá fora uma farinha de trigo para pão tem em média 14% de glúten, enquanto por aqui ficamos na metade. O grande problema é que boa parte do que faz o pão ser pão reside no glúten. Ele proporciona estrutura e elasticidade, e segundo Hirata-sama o fermento (as leveduras) o consomem também.

A maneira como é feito este pão não poderia ser mais simples e praticamente sem morrer durante o sovar. Aliás, quase não há! Apenas a fermentação lenta e demorada de 6-8h, ou seja, quem faz o trabalho pesado é o tempo e os “bichinhos” (em tempo: as leveduras são fungos e não animais e muito menos plantas).

Outra dica interessante foi sobre o sal, o momento certo de quando incorporá-lo. Hirata-sama conta que deve ser colocado num segundo momento, depois que a água hidratou a farinha de trigo e liberou o glúten.

Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

O pão mostrado é a segunda tentativa, pois na primeira obtive arte abstrata. E… coloquei água demais, o que deixou a massa bem mole dificultando sua modelagem, além da falta de glúten. Já neste segundo, mesmo faltando glúten, tomei mais cuidado na hidratação e creio que o fermento estava menos dormente, digamos. Mas isso é tudo na base do achismo.

Ainda preciso melhorar a técnica e realizar uma versão com o tal glúten a mais para saber e sentir as verdadeiras diferenças. Entretanto, sinto que estou no caminho certo desta vez. Este fermento é diferente daquele que havia feito algum tempo atrás, e claro, os pães também são. Tanto na textura quando no gosto.

Para quem desejar as receitas, sugiro a leitura da matéria do Paladar: Tamagotchi de geladeira. Tem tanto as instruções para você iniciar uma nova cultura de fermento quanto um pão feito com ele.

Pão com Fermento Natural da Mari Hirata

Café da Hello Kitty (Sanrio Cafe)

10 de Novembro, 2009 por Vitor Hugo

Sanrio Cafe (aka Café da Hello Kitty)

Entre o trabalho na semana que fiquei em São Paulo que fui muitíssimo bem recebido pelo Leo e Bia do Trivial Ou Nem Tanto. Consegui dar uma escapulidade para conhecer o Sanrio Cafe, mas já virou Café da Hello Kitty.

Para tal tarefa fui ciceroneado pela Marcia & Nilton (A Casinha), Simone & Marcelo (Chocolatria). Para quem, ainda, não sabe a Simone é quem fornece os docinhos vendidos no café. Sem contar que foi uma oportunidade de conhecer a Marcia e Nilton, pois só havia conversado com eles via email e blog!

Sanrio Cafe (aka Café da Hello Kitty) Boa parte do que é oferecido eu já havia provado antes, mas em outro formato. Então, fiquei com o cupcake (R$8,50) que era o mais diferente e não tinha comido ainda. Gostei bastante, nada seco e doce na medida para combinar com o espresso. Além, é claro, da “forminha” feito de chocolate rosa. Deve dar um trabalho do capeta, hahahahah. Os bombons quadrados (R$5,70) são maiores do que imaginei, ficam acima da média desses bombons de transfer. Já vi versões menores e pelo mesmo preço ou mais caros.

Sou muito suspeito em falar do trabalho que a Simone desenvolve no Divas, com sabem, somos amigos e ela é minha referência em chocolate. Ou seja, babo muito ovo e quero a habilidade ninja em temperar chocolate que ela tem. Porém, sejamos profissionais… hahahah.

Não é o lugar mais barato do mundo, isso eu concordo plenamente

Entretanto, o produto entregue é de qualidade e vale o preço. E acredito que a Sanrio deve ter feito uma pesquisa de mercado e visto que o ticket médio dos consumidores do shopping em que a loja fica pagariam o preço fixado.

Mas ainda sinto que precisam decidir qual é o nicho que eles querem atingir, creio que exista um certo conflito de alvos. Para quem vai e observa, fica claro e evidente que o estabelecimento é chamativo para as crianças. Os doces e a decoração possuem a Hello Kitty, as cores, os detalhes são todos para chamar a atenção.

Sanrio Cafe (aka Café da Hello Kitty) O conflito fica em volta do café em si, literalmente. Quem bebe café, normalmente, são adultos. Ou seja, os pais. Então, o que leva a seguinte conclusão: o café seria para os pais esperarem enquanto as crianças escolhem os outros produtos da loja, as bugigangas. E mais, no cardápio “original” havia o pão de mel licoroso e o bombom de caipirinha. Digamos que não seria o mais indicado para os pequenos, não? heheheh

Como é a primeira loja nas Américas e acabou de abrir, então, precisa de tempo para sentir a resposta do público e a medida do possível fazendo as adequações.

Por último, mas não menos importante: Marcia e Nilton, muito obrigado pelo passeio! :) Foi ótimo e um prazer em conhecê-los ao vivo, finalmente!

Sanrio Café (Piso Turiassú)
Bourbon Shopping
Rua Turiassú, 2.100 – São Paulo/SP
Preço: vá preparado é caro.

Sanrio Cafe (aka Café da Hello Kitty)

Em: lugares

Semana Mesa SP: Mesa Ao Vivo 2009

5 de Novembro, 2009 por Vitor Hugo

No último texto falei, no geral, do evento todo. Porém, o enfoque recaiu no Tendências, então, segue alguns comentários sobre a segunda parte da semana.

Infelizmente, não seria fisicamente possível assistir todas as aulas-degustações, pois aconteciam quase que ao mesmo tempo umas com as outras (ok, havia um certo tempo entre elas), porém, era simultâneo ao Tendências no dia 28 e 29.

Tentei dar uma espiada nas várias aulas, no geral. Pude acompanhar, de fato, as seguintes aulas: Patricia Fontana, Damien Montecer, Mara Salles, Flavia Quaresma e Mari Hirata.

Semana Mesa SP 2009

Algumas foram mais inspiradas do que outras, caso não me falhe a memória do Damien era de macaron de chocolate para ser feito em casa. Assim, nada contra o chef… mas de todas as pessoas que estavam assistindo creio que nem dez teriam em casa um forno que atinja 120ºC, considerando os modelos mais básicos disponíveis no mercado. Ou seja, muitas vão fazer, vai dar errado e vão se frustrar. E não é praga não, é fato!

Semana Mesa SP 2009 Com a Patricia conheci o spaghetti feito com palmito da pupunheira (pupunha é o fruto) comercial, ele vem pré-cozido e congelado. Lembro a muito tempo atrás o Alex Atala tinha feito um no Mesa pra Dois, mas usava o palmito em si. Achei bem diferente, a textura e o gosto diferem do palmito “normal”. E a Patricia tirou meu trauma de aspargos e me deu uma certeza, o resultado que obtive quando os fiz foi uma falha extrema, hahahahah. Ah, sigam a Pat no twitter: @patyfon.

Semana Mesa SP 2009 Mara Salles apresentou dois pratos: uma sobremesa com graviola e suspiro de jabotá e gnocchi de pupunha (o fruto). Só consegui provar a sobremesa, estava muito boa graças a graviola absurdamente madura e doce. Uma aula de produtos brasileiros, não é à toa que a chef é referência no assunto. Já a Quaresma foi bom ver a chef novamente (tudo bem que ela nem sabe quem eu sou, hahahah) desde que encerrou as atividades do Carême. Apresentou pratos com pitadas marroquinas e muçulmanas.

Semana Mesa SP 2009

E por fim, a aula de Mari Hirata ficou baseada em: ovos! Fez um tipo de ovo “quente” semi-cozido que é bem comum no Japão, a clara cozinha levemente e a gema fica bem mole. Acompanhou legumes e foi regado com flor de sal e fio de azeite trufado. Ah, e o chiffon cake! Tinha de matchá (chá verde), baunilha, pasta de gergelim preto e yuzu (limão japonês). Quero yuzu na minha cozinha, alguém sabe se vende em algum lugar?

Semana Mesa SP 2009

No circuito “O melhor da Cidade” que acontece dentro das cozinhas do Senac, não tive coragem de entrar, isso que eu não precisava entrar na fila. Muita gente e pelo que pude ver, gente sem lá muita noção da palavra degustação. Isso que se eu entrasse era para tirar mais fotos do que comer de fato. Sério, tinha parte do público parecia que nunca tinha visto comida. Em alguns momentos batia aquela vergonha alheia bem forte…

Semana Mesa SP 2009

Como disse da outra vez, foi ótimo assim mesmo! Conhecer esse pessoal e conversar com as pessoas ao vivo e a cores é outra coisa, colocar o papo em dia ou criar um! Sem falar nas degustações de vinhos e cervejas por lá, deu para conhecer várias linhas e importadores. O jeito, agora, é esperar pela próxima edição!

Em: agenda

Cobertura do Semana Mesa SP 2009 [Atualizado]

3 de Novembro, 2009 por Vitor Hugo

Semana Mesa SP 2009: Coletiva de Imprensa

Uma semana mergulhado no mundo da gastronomia, não será fácil sintetizar tudo que assisti e presenciei. Tanto conhecimento reunido de uma só vez, tantas pessoas. Foi incrível! Tive a oportunidade de cobrir tanto o Mesa Tendências quanto o Mesa ao Vivo, tentei me dividir entre os dois. Assisti uma palestra aqui e corre para uma aula acolá.

No Mesa Tendências, as apresentações mais marcantes foram: Claude Troisgros, Rodrigo Olivera e Ana Luiza Trajano, Jordi Roca, Tsuyoshi Murakami, Mari Hirata, Roberta Sudbrack. Claro, não tirando o mérito dos outros chefs. Tanta informação que ficamos inebriados de estar lá, participando e tentando absorver um pouco desse time.

O tom desde ano bateu na mesma tecla: produto de qualidade e técnica. Porém, nas entrelinhas era possível perceber um certo contra-peso em relação ao ano passado que o foco ficou na vinda do Ferran Adrià, além da tarja de que a “cozinha molecular” seria do mal. Ainda sinto que muita gente não captou o sentido dela, não se dá nem o trabalho de conhecer e já descarta essa vertente.

Semana Mesa SP 2009

Entretanto, as apresentações de Carlo Cracco e Jordi Roca bebem da mesma fonte que o Adrià, guardada as devidas proporções. Eles se apóiam mais em técnicas do que em reagentes, mas não deixam de ser inovadoras. Um dos chefs franceses cozinham ostras no microondas, por exemplo, e disse que não há método melhor!

Falando no Jordi, confesso que não botei muita fé no rapaz. Mas já dizia o velho ditado: não julgue um livro pela capa. Este chef espanhol sabe entreter seus comensais (no caso, platéia) e o que mostrou foi de impressionar: sorvete feito com a fumaça de charuto (brincou que a ideia original era com outra coisa, hahahahah), uma beterraba feita de açúcar e uma sobremesa inspirada em perfume. Utiliza muitos processos básicos da química e da cozinha clássica, mas com uma linha mais inovadora.

Definitivamente, não tem como não gostar do Claude Troisgros. Na apresentação, ele parecia estar tão feliz (mesmo levemente resfriado), simpático, brincou com a platéia, ironizou o tempo e, claro, contou a sua história. A bagagem gastronômica da Família Troisgros não dá para discutir. Se eu já gostava, passei a gostar mais ainda.

Semana Mesa SP 2009

Mari Hirata surpreendeu muito, o conhecimento dela na arte do fabrico de pães é de tirar o chapéu. Tinha uma concepção bem diferente dela. Mais tarde comentarei mais sobre, além do fermento natural que ganhei.

Semana Mesa SP 2009 Conheci ao vivo Roberta Sudbrack que apresentou o seu famoso quiabo com camarão e o caviar vegetal (as sementes do quiabo). De uma simplicidade absurda, mas extremamente surpreendente! Não, não provei o executado pela chef, mas uma versão feita pelo Leo do Trivial ou Nem Tanto. Uma pena que a estada da chef foi corrida, trocamos algumas palavras, apenas.

E realmente, o público-alvo do Tendências é o pessoal do mercado mesmo, sendo cozinheiros, donos de estabelecimentos e afins. Para quem não é da área pode ficar um tanto perdido, digamos. Mesmo tendo sido excelente, existem pontos a serem melhorados, como: tempo e decidirem o que desejam com as palestras. Como assim?

Bom, as palestras em si eram uma demonstração de algum (ou vários) prato, uma ou outra o chef apenas falava. Considerando que em nenhum dia começou na hora, o que atrasava todo o cronograma, os palestrantes tinham que acelerar o passo, mas ao mesmo tempo se desejava a participação da platéia. O que dentro da equação geral não dava lá muito certo. Além da equipe de apoio que não falavam a mesma língua, nas últimas apresentações só era possível faze 2 perguntas, mas parece que nem todos tinham isso em mente.

Fiquei impressionando com a estrutura do evento, veja bem, boa parte dos chefs eram estrangeiros e na sua maioria franceses. Assim, existia tradução simultânea via fone de ouvido. Mesmo com alguns pontos a serem revistos, no geral, estava bem organizado.

Já o Mesa ao Vivo fica responsável por agrupar os expositores do evento (a grande maioria de bebidas), e as aulas-degustação. Algumas muito voltadas para o público sem conhecimento prévio em cozinha, outras com uma exigência um pouco maior. É interessante para ver de perto o trabalho de pessoas do mercado de uma maneira um pouco menos formal, aproximar o público do chef, digamos.

Falar de comida sem mencionar as pessoas não existe propósito. Tive a oportunidade de conhecer, de verdade, tantas pessoas que converso via blog ou twitter. Não irei listar, pois tenho certeza que irei esquecer alguém, então, prefiro evitar essa gafe de memória. Mas foi ótimo conversar com esse pessoal mesmo que rapidamente, valeu muito a pena.

Nos vemos na edição de 2010, assim, espero!

Semana Mesa SP 2009

Em: agenda